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Desnorteios do coração e do espírito

fevereiro 25, 2007 1 comentário

 

Não há homem que não se sinta mais lisonjeado em inspirar de repente um amor violento, do que fazê-lo nascer por degraus.Crébillon Fils, in “Os desnorteios do coração e do espírito”

Caro Crébillon, confesso que mentiria dizendo que não me sentiria lisonjeado, mas tenho medo. Você diz, anteriormente, que as mulheres crêem que a paixão, para ser forte, deve começar por uma pertubação violenta. Mas acredito que, infelizmente, muitos homens também pensam assim.

Por que tenho medo? Explico-me. É que isso me lembra “a Catarina”, de Kierkegaard: “o amante não pode explicar nada, não sabe explicar nada. Viu centenas de mulheres; deixou talvez passar muitos anos sem experimentar o amor; e um dia, de repente, vê a sua mulher, a única, a Catarina.” [1]

O segundo motivo pelo qual temo paixões violentas e inexplicáveis é que elas criam a ilusão de união. E, sem o amor, essa “união” deixa os estranhos tão distantes um do outro quanto antes. Quando essa súbita quimera se desfaz, sentimentos como rancor e vergonha são frequentes.

Não quero incorrer no estado pessimista nem no estado cômico do amante kierkegaardiano, mas manter uma pitada de serenidade no aprendizado da difícil e custosa arte de pretender vencer o estado de separação e alienação do ser humano, através do amor. Por degraus, por que não?

[1] Kierkegaard, O Banquete

A arte de amar

dezembro 23, 2006 1 comentário

O amor infantil segue o princípio: “Eu amo porque sou amado.” O amor maduro segue este outro: “Amo porque amo.” O amor imaturo diz: “Amo porque preciso de você.” O amor maduro diz: “Preciso de você porque te amo.” Erich Fromm, A arte de amar, p 51

CategoriasAmor, Citações
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