Arquivo para Fevereiro, 2007

25
Fev
07

Desnorteios do coração e do espírito

 

Não há homem que não se sinta mais lisonjeado em inspirar de repente um amor violento, do que fazê-lo nascer por degraus.Crébillon Fils, in “Os desnorteios do coração e do espírito”

Caro Crébillon, confesso que mentiria dizendo que não me sentiria lisonjeado, mas tenho medo. Você diz, anteriormente, que as mulheres crêem que a paixão, para ser forte, deve começar por uma pertubação violenta. Mas acredito que, infelizmente, muitos homens também pensam assim.

Por que tenho medo? Explico-me. É que isso me lembra “a Catarina”, de Kierkegaard: “o amante não pode explicar nada, não sabe explicar nada. Viu centenas de mulheres; deixou talvez passar muitos anos sem experimentar o amor; e um dia, de repente, vê a sua mulher, a única, a Catarina.” [1]

O segundo motivo pelo qual temo paixões violentas e inexplicáveis é que elas criam a ilusão de união. E, sem o amor, essa “união” deixa os estranhos tão distantes um do outro quanto antes. Quando essa súbita quimera se desfaz, sentimentos como rancor e vergonha são frequentes.

Não quero incorrer no estado pessimista nem no estado cômico do amante kierkegaardiano, mas manter uma pitada de serenidade no aprendizado da difícil e custosa arte de pretender vencer o estado de separação e alienação do ser humano, através do amor. Por degraus, por que não?

[1] Kierkegaard, O Banquete

24
Fev
07

A Existência é Separação

É este que é o estado de nossa existência inteira, desde seu início ao fim. Tal separação é preparada no útero da mãe, e antes disso, em cada geração precedente. É manifesto nas ações especiais de nossa vida consciente. Alcança além de nossas sepulturas em todas as gerações sucessivas. É nossa própria existência. A existência é separação!Paull Tillich, The Shaking of the Foundations, capítulo 19

Ler Capítulo completo aqui: http://xcorex.wordpress.com/traducoes/

24
Fev
07

Vivendo e aprendendo

“A queda não cancela a glória de ter subido” Pedro Barca, “Hombre Pobre todo es Trazas”